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sábado, abril 03, 2010

O futuro do combate ao câncer.

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Esta imagem de microscópio eletrônico mostra nano partículas entregando sua carga letal a células cancerosas.                                                [Imagem: Caltech/Swaroop Mishra] 

    Preste bem atenção, você está vendo acima o futuro do combate eficiente ao câncer, a qualquer tipo de câncer. Os pequenos pontos pretos na imagem acima são nanobots, robôs em escala de nanômetros, entregando uma carga letal para células cancerosas, e só para elas. Na verdade esta carga é um cavalo de tróia, ela irá matar a célula com câncer.
    A noticia mais incrível é que isso aí acima não é ficção, a primeira fase de testes em humanos foi um estrondoso sucesso, e o que é melhor ainda, sem efeitos colaterais.
     O exército de robôs anti-câncer foi criado no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), pela equipe do Dr. Mark Davis. De acordo com o estudo publicado na prestigiada revista científica NATURE, a equipe do Dr. Davis desenvolveu uma maneira segura, limpa e eficiente de entregar sequencias de RNAi para células cancerosas, o RNAi é a sigla para Interferência ácida ribonucléica, uma técnica que ataca genes específicos de células malignas, desabilitando funções internas destas células e matando-as.
     É como um pequeno exércitos de ultra-eficientes e bem treinados agentes especiais, que se infiltram dentro da fortaleza do inimigo, sabotando-a e fazendo com que funções vitais desta fortaleza parem de funcionar, efetivamente levando estas estruturas à morte.
    Para quem é fã de ficção científica, deve se lembrar do Dr. Leonard McCoy da série Jornada nas Estrelas, no filme de 1986 intitulado “O Retorno à Terra”, quando ele injetava em um paciente em um hospital uma dose de nanobots para curar o paciente vitima de uma doença terminal, e resolvia o problema.
    Pois é, mais uma vez a ficção antecipa a realidade.


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Os pequenos robôs de ataque tem o tamanho de 70 nanômetros, são feitos com 2 polímeros e 1 proteína, que se conecta na superfície das células com câncer, e só nestas.
    Estes pequenos robôs carregam uma peça de RNA chamada de siRNA, sigla para RNA de pequena interferência (small-interfering RNA), este é que desativa a produção de uma proteína nas células com câncer, efetivamente desencadeando a morte da célula.
    O melhor de tudo é que, depois de entregar sua carga letal para a célula cancerosa, o pequeno robô se desmonta, quebrando-se em partes inofensivas que são posteriormente eliminadas pelo corpo através da urina.
   Os pequenos exércitos de nanobots podem ser injetados no paciente via injeção intravenosa, dispensando procedimentos cirúrgicos extensos e caros, uma simples injeção no consultório basta para inserir os pequenos exércitos no campo de batalha, ou seja, no corpo humano.
   Tudo isso de forma eficiente, sem nenhum efeito colateral e preservando a qualidade de vida do paciente.
   Para saber mais, visite a página do estudo na CalTech (obs: a página está em inglês, abre em nova janela).

sábado, janeiro 09, 2010

Quando se morre…

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Quando se morre realmente? Quando todas as funções vitais param? Quando os aparelhos já não marcam mais nada? Quando o biiiiiiiip continuo do monitor cardíaco soa?

Esta semana pensei muito sobre isso, e concluí que se pode morrer muito antes disso, se pode passar pela vida como um espírito arrastando um cadáver. O que me fez pensar sobre isso é que assisti uma entrevista de um sujeito de 35 anos de idade, que deve ter morrido lá pelos 27, senti muita dó pelo sujeito.

  • Se morre quando o tédio e a rotina já não suscitam mais revolta, apenas conformismo.
  • Se morre quando se tem muito mais respostas do que perguntas.
  • Se morre quando julgamos que apenas o que é antigo é que é bom e que o novo é só lixo, mas também se morre quando se acha que só o novo é que é bom e o antigo é que é só lixo.
  • Se morre quando se pensa que alguém que possua apenas metade da sua idade não pode ter nada para lhe ensinar, mas também se morre quando se acha que alguém com o dobro, ou mais, também não tem nada a ensinar.
  • Se morre quando as certezas suplantaram em muito as dúvidas.
  • Se morre quando se diz “eu te amo” apenas com a boca, e não mais com o coração.
  • Se morre quando o aperto de mão é apenas um gesto, e não um compromisso.
  • Se morre quando novos amigos deixam de acontecer.
  • Se morre quando se faz sempre o mesmo caminho, sem explorar novos lugares, novas cores.
  • Se morre quando o comodismo impede de fazer novos planos.
  • Se morre quando se ri cada vez menos, mas se lamenta cada vez mais.

   Enfim, se morre de muitas maneiras, ainda em vida, pode-se morrer um pouco a cada dia (como já escreveu João Cabral de Melo Neto), basta não viver, basta recusar-se ao mundo.

terça-feira, janeiro 05, 2010

É realmente uma vergonha!

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    Todo mundo que trabalha em rádio e televisão sabe, microfone é um bicho prá lá de bandido, quando tudo o que você não quer é transmitir o que está falando, ele está lá, aberto, funcionando, esquecido e pronto para jogar para o mundo as besteiras que você falar perto dele.

   Bóris Casoy provou desta máxima ao apagar das luzes de 2009, em 31 de dezembro no encerramento do Jornal da Band, do qual ele é o âncora, dois garis de São Paulo aparecem, devidamente uniformizados, desejando um feliz 2010 ao povo brasileiro. Na volta do jornal, sem perceber que o áudio estava aberto para o mundo, Boris Casoy faz uma observação com um colega de bancada, para lá de preconceituosa: “Que merda… dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros… o mais baixo da escala do trabalho”.

    O comentário do apresentador foi repugnante, as desculpas oferecidas e o comentário sobre as desculpas, foi pior ainda, melhor nem ter feito nada, demonstra que foram apenas desculpas protocolares, “para limpar a barra” por assim dizer, em uma entrevista à Folha de S.Paulo revela que na verdade ele apenas sente muito por o microfone estar aberto, não pelo comentário proferido, diz ele: “Foi um erro, vazou, era intervalo e supostamente os microfones estavam desligados”.

    Porém tão repugnante quanto o comentário de Boris, são muitos dos artigos que estão sendo escritos condenando-o, uma grande maioria cheios das expressões preferidas dos pseudo-intelectuais e ofensas gratuitas, como “fascista” – nem ao menos esses escribas possuem a noção da exata dimensão deste termo, do contrário não o empregariam a torto e a direito. Até as críticas (justas, diga-se de passagem) que Bóris já fez ao governo Lula são desqualificadas e tratadas como recalque das elites (outro termo que estes escribas adoram usar, mas que empregam sem noção), usam o lamentável e infeliz episódio como se isso pudesse desculpar todos os desmandos, roubos e safadezas que a turma do PT, do mensalão e tantos outros safados já fez ao país, como se um único comentário infeliz apagasse todos os escândalos ocorridos na vida pública brasileira.

     Uma pequena amostra das críticas tão repugnantes quanto o fato em si: http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=161861 (destaque especial para os empregos de “fascistóide”, “colunistas elitistas”, “mídia hegemônica”, “oposição de direita”, “discurso raivoso”, “movimentos grevistas”, “posições imperialistas dos EUA”, e outras pérolas que pululam por todo o texto).

    Agora parece que o governo Lula e a quadrilha que infelizmente se instalou no poder devem ser desculpados de todos os roubos e desmandos, apenas porque um jornalista fez um comentário preconceituoso.

    Bem, eu não acredito nisso, e acho que uma grande parcela do povo brasileiro também não, assim como os benefícios das privatizações também não desculpam a farra e os escândalos que foi o apagar das luzes do governo FHC, um comentário infeliz de um jornalista não invalida as denúncias de corrupção e os escândalos do atual governo.

    Muito ainda hão de gritar contra as elites, os golpistas, e tantos outros termos que usam contra quem não concorda com os desmandos. Até porque no jargão destes pseudo defensores do povo, qualquer aglomerado de arruaceiros que se reúnam para tentar ir contra a propriedade privada ou os setores produtivos é chamado de “forças democráticas populares”, até os quadrilheiros facínoras do MST merecem destes pseudo-intelectuais desculpas (leia a íntegra do texto no link anterior), como se isso fosse possível.

O fato não se altera, Boris Casoy foi repugnante em seu comentário, mas também são repugnantes as invasões e assassinatos do MST, o mensalão, a roubalheira na saúde, nos orçamentos da união, a compra de votos por parte do governo, as mentiras de Lula e Dilma Roussef, o aparelhamento da máquina estatal pela quadrilha que lá se instalou (e não é só o PT), os dólares na cueca, o escândalo do mensalão de Brasília (este uma obra da oposição, provando que não precisa ser do governo ou do PT para fazer bandidagem neste país).

segunda-feira, janeiro 04, 2010

PRAZOS, PRAZOS – Como cumpri-los?

AQUA ICONS FOLDER SCHEDULED TASKS   Confesso, tenho um problema crônico com prazos, sou ruim com eles (já melhorei muito, eu era péssimo), principalmente em um área como TI, que é (mal) falada por conta do problema dos prazos.
      O que tenho feito é uma lista de tarefas, na mão mesmo, pois as do computador nenhuma funcionou para mim, sei lá por que motivo mas não funcionou. Divido as tarefas em:

  • URGENTES – são aquelas que vão te ferrar se não ficarem prontas, ou o cliente vai cancelar o serviço, ou você não vai receber e as contas vão atrasar, ou teu fígado vai ser saboreado cru pelo cliente, e que já estão atrasadas.
  • IMPORTANTES – São aquelas que se você não fizer vão te dar um problemão, tanto quanto as urgentes, mas ainda não estão atrasadas, ou seja, o garfo ainda não chegou no teu fígado.
  • NECESSÁRIAS – Aqui entram aquelas que você precisar fazer para ter alguma perspectiva de futuro (pagar a luz, aluguel, reunião com um prospect, evento para fazer contatos, etc.).
  • OUTRAS – São aquelas que você pode delegar para outras pessoas ou pode postergar por um longo período sem maiores consequências.

   Estou fazendo o seguinte, divido o dia em resolver 60% de urgentes, 25% de importantes (para que não se tornem urgentes), e divido os 15% restantes entre as necessárias e outras.

   Está dando certo, o meu problema agora é aprender a classificar as tarefas na categoria certa (rsss, nem tudo é perfeito no mundo né?). Mas não sei porque, mesmo eu sendo um cara de TI, de ter aversão à papel, só funcionou quando coloquei a lista no papel!!! Vai entender.

     O meu contador ficou feliz, disse que finalmente conseguiu fazer uma reunião comigo de mais de 30 minutos. Sinal de que as coisas estão melhorando (pelo menos para ele).

sábado, agosto 22, 2009

A volta da proposta de regulamentar a profissão no mercado de informática.

Bom, eu já escrevi diversas vezes, em newsgroups e fóruns sobre este tema, infelizmente nunca no blog. Vou sanar agora esta falha, para que o texto pelo menos fique registrado, e eu possa depois mencionar sem precisar reescrever tudo.

Em primeiro lugar, convém esclarecer que, caso seja aprovada a regulamentação da profissão, eu estaria dentro dessa reserva de mercado, portanto a minha posição nada tem de inveja (como alguns mais exaltados defensores dessa sandice propalam) ou outro sentimento, digamos… “menos nobre”.

Mas sou RADICALMENTE CONTRA a regulamentação da profissão de analista de sistemas, como também de outras como leiloeiro oficial (sim também querem regulamentar), flanelinha (acreditem, é verdade, veja aqui), capoeirista (duvida? então veja…), corretor de imóvel, contador, e várias outras.

Mas a discussão aqui é sobre analista de sistemas, aliás o próprio termo já é um tanto antigo e esta praticamente caindo em desuso, até porque as competências para construir um software como produto vão bem além disto.

Sou contra por várias causas, algumas:

- Regulamentação não é garantia de competência, o mercado já se encarrega de separar o joio do trigo, hoje vale muito mais uma certificação do que a regulamentação. Os defensores argumentam que software lida também com vidas humanas, como software de aviônicos, equipamentos hospitalares, usinas nucleares, etc.

   Oras, alguém pensa seriamente que a regulamentação fará alguma diferença nisso? Nenhuma empresa contrata um programador ou analista de sistemas para fazer software para incubadoras neo-natal por exemplo, isso é desenvolvido por empresas estabelecidas, com certificações CMM, ISO e por aí afora vai, o software tem que ser homologado e certificado, não interessa se o analista é diplomado ou não, o mesmo para softwares de avionica, para usinas e por aí afora vai.

   Pensam muitos que é necessário para frear a competição desmedida, que avilta os ganhos dos profissionais. Eu tenho a minha empresa de software, a competição no mercado é tanto com outras empresas quanto com profissionais independentes, eu não baixo o meu preço aquém do que considero justo e que minha planilha de custos mostra ser o razoável, e tem concorrentes no mercado cobrando 5% do meu preço final. Há mercado para eles e há mercado para a minha empresa também, tudo depende do cliente, e não será uma regulamentação que irá banir os camelôs de sistemas do mercado. Isso é competição, é concorrência, é saudável e bem vinda, graças à esta competição a qualidade aumentou (pelo menos a minha).

   Regulamentação é apenas reserva de mercado, e quem se beneficia disso, historicamente comprovado, são os incompetentes, vide a famigerada, nefasta e de triste lembrança, reserva de mercado de informática. Os bons profissionais, diplomados ou não, tem espaço no mercado, são disputados por empresas e pelo mercado. Apenas as empresas de fundo de quintal, ou a quitanda da esquina, e mesmo assim olhe lá, é que vão contratar o sobrinho do amigo do cunhado para fazer um programinha para controlar o estoque, esta é uma fase já passada, a realidade é outra.

    Hoje temos inclusive carência de bons profissionais no mercado, veja bem, de bons profissionais, profissionais diplomados ou não tem aos montes, mas qualidade é algo que anda raro, e é muito valorizada.

    Existem excelentes profissionais oriundos das faculdades, mas infelizmente existe também uma grande parcela que sai da faculdade sem noção de mercado, com parcas idéias teóricas, sem embasamento na realidade, sem falar nos que são incapacitados intelectualmente para exercer a profissão, e falo com conhecimento de causa, já perdi a conta de estagiários oriundos de várias faculdades que passaram pela empresa, e as estatísticas comprovam que mais de 80% não possuem condições mínimas para trabalhar, falta-lhes capacidade de raciocínio, ainda mais em uma área extremamente dinâmica como TI, aonde o conhecimento que tenho hoje é nada amanhã, temos que pesquisar, aprender, descobrir e manter-se em dia com as novas tendências e tecnologias, e esse ciclo se renova a cada semana, portanto não é um diploma que vai dar o estofo necessário para atuar nessa área.

    A regulamentação vai apenas onerar um pouco mais nossa atividade, com anuidades para conselhos, federações, e por aí afora vai, além de abrir um bom número de cargos para serem preenchidos por apaniguados políticos, e sustentados por nós.

    Um dos maiores entraves do Brasil é o custo trabalhista, e com a regulamentação estaremos burocratizando e onerando ainda mais uma área em que o dinamismo deveria operar. O que vai ocorrer é que grandes empresas de software, que hoje são grandes contratantes, vão acabar migrando a contratação de seus serviços para Índia, Paquistão, China, etc.

    Argumentam que só os relaxados, que nunca foram atrás de um diploma estão preocupados com isso. Bom, eu não me considero um relaxado, e como já expliquei no inicio do texto, eu estaria na turma dos “beneficiados”, mas discordo deste argumento, isso é uma desculpa esfarrapada de quem deseja ardentemente a regulamentação, para estabelecer uma reserva de mercado para si, ou por ter medo de encarar a competição do mercado, ou por comodismo mesmo.

    A regulamentação vai criar uma classe comodista, como já ocorre em algumas outras, e quem vai perder com isso é a sociedade como um todo, menos competição, menos desenvolvimento, preços maiores, enfim prejuízo para todos.

   Argumentam que os que “se acham competentes” mas não possuem diploma, que corram atrás do diploma, e que não precisam se preocupar com isso. É uma falácia, muitas vezes quem tem longa experiência e não é formado na área, não tem tempo de voltar para os bancos de uma faculdade.

   E quando se volta para os bancos de uma faculdade, chega a ser irritante o nível primário do corpo docente, que parece viver no mundo de Alice (com exceções é claro), com muito pouca noção de mercado, prazos, SLAs e como se produz software como produto.

   Com a quantidade cada vez maior de faculdades que não conseguem as notas mínimas, imagino o nível de profissionais que serão regulamentados, e com isso enganando o mercado. Sim, porque hoje o mercado sabe que existe tanto o picareta quanto o competente, mas com profissionais regulamentados, com a carteira na mão, muitos pensarão que isso será garantia de qualidade, o que não é.

    Sem falar que o legislador propõe regulamentar uma categoria que está em franca extinção. Não se faz mais software como produto apenas com Analista de sistemas e programadores, hoje precisamos das competências de um Engenheiro de software, um analista de negócios, e muitas outras competências, que vão muito além de um simples analista de sistemas.

   Então, eu não vejo nenhuma real vantagem para os profissionais e para o povo, em ter a profissão regulamentada e uma reserva de mercado, vejo isto sim uma tentativa de explorar o nosso bolso, criando mais um custo para bancarmos, além de proteção para os incompetentes que não conseguem se manter no mercado.

domingo, agosto 09, 2009

Aos poucos o gado vai acostumando com o jugo.

 

E aos poucos os conselhos de Maquiavel vão se confirmando, assim como as orientações de Antonio Gramsci, ainda que não empregadas dentro da sua ótica marxista.

A respeito da recente lei anti-tabagismo em São Paulo, a esmagadora maioria está bovinamente aceitando e aplaudindo.

Os que ousam levantar a voz contra, como já fiz, é sumariamente tachado de todos os epítetos pouco elogiosos imagináveis, além de ofensas verbais, e acusações do tipo “Egoísta, não se importa com os outros”, e por aí afora vai.

Oras, eu larguei o cigarro já tem mais de 9 anos, vez ou outra me atrevo a saborear um “puro” (charuto, para os menos íntimos do hábito), mas sou não fumante, a fumaça do cigarro inclusive me incomoda, portanto as ofensas e xingamentos raivosos caem no vazio, pois erram solenemente o alvo.

Porém me incomoda muito mais, não só me incomoda, me revolta, me causa repúdio, profunda revolta, o Estado metendo-se a tutor de minha vida privada, meus hábitos e até mesmo de cuidar da minha saúde. Não trabalho bem com a idéia de um estado controlador, isso liga em mim, de maneira automática e instintiva, o bixo da revolta, me vem à mente as multidões controladas pelo estado na China, Coréia, Cuba, ex-URSS, e por aí afora vai, e não posso ficar calado, quieto e aceitar isso como normal.

O que a maioria dos que aplaudem essa lei arbitrária parecem ignorar é que o foco da discussão está errado, enquanto o governo, como um déspota auto nomeado tutor de minha vida, brada demagogicamente aos quatro ventos contra os malefícios do cigarro, à maneira de um hábil prestidigitador que desvia o foco da cena principal, vai introduzindo no dia-a-dia do cidadão leis policialescas, privativas de liberdades, tutoras de direitos mais intimos, e mostrando o foco distorcido, consegue o aplauso da patuléia, como o boi que aceita de bom grado a água e o capim na estrada para o abatedouro.

Porque não se fez tanto empenho para disciplinar uma separação física de fato dos ambientes de fumantes e não fumantes, como existe em Salvador? Porque o impacto da lei promulgada gera muito mais dividendos eleitorais, e o (des)governador José Serra está de olho no Alvorada em 2010 e não no mandato de governador que deveria exercer.

Enquanto isso dezenas de pessoas (crianças, jovens, adultos e até velhos) se acabam fumando pedra nas Cracolândias por esse Brasil afora, e os governantes nada ou muito pouco fazem para solucionar o problema, novamente porque isso não gera dividendos eleitorais a curto prazo, esse é um problema que demanda energia, tempo, dedicação, esforço e trabalho, muito trabalho, para dar frutos em 1 ou 2 décadas, é muito tempo para os nossos politiqueiros de plantão, que querem colher os frutos agora, afinal há tempos perdeu-se o interesse coletivo de vista, em prol dos interesses pessoais e imediatistas dos politiqueiros que fizeram disso o seu meio e fim de vida.

O que me espanta é a maneira bovinamente plácida com que as pessoas, inclusive muitas tidas como cultas, aceitam a tutela do estado, via leis arbitrárias, em suas vidas.

Esse é um dos males seculares da América Latina, essa cultura ibérica de que o estado deve ser o grande pai, a tudo provendo, a tudo orientanto, a tudo tutelando, como se fossemos incapazes de tomar conta de nosso próprio nariz (e na maioria das vezes eu acho que uma grande parte da população é incapaz sim). É o oposto da mentalidade anglo-saxã dos nossos irmãos do Norte, que prezam a liberdade individual acima de tudo, e jamais aceitariam o estado lhes ditando o que fazer, por isso as ditaduras florescem muito mais nestas bandas, pois encontram terreno fértil no populacho.